quinta-feira, 16 de maio de 2013

Aeroportos, Copa de 2014... E agora?


Por

Magno Viana

Jornalista

 

A expectativa da sociedade brasileira com relação à Copa do Mundo FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) de 2014 é intensa e crescente. Pelo fato de o Brasil se tratar de uma nação conhecida mundialmente como o país do futebol, a espera pelo momento da competição aqui pela segunda vez, além de ser universal é criadora de frisson principalmente nos organizadores do evento.  Como será no século XXI a realização do torneio no país especializado empiricamente nesse esporte, a Terra do Rei Pelé, Ronaldo, o ex-fenômeno, Kaká e Neymar?  É um questionamento não só dos anfitriões, mas, também das demais dezenas de povos que participarão da Copa.

É necessário lembrar que não se está falando do Brasil de 1950 (quando o país sediou o evento pela primeira vez). Além de a nação ter se tornado emergente nos últimos dez anos, é hoje a sexta maior economia do mundo. Entretanto, mesmo com estas conquistas, surge mais uma pergunta: Existe infraestrutura para atender a demanda por prestação de serviço de qualidade? Qual a situação dos aeroportos nacionais? Com essa terceira pergunta dá-se início ao desdobramento da presente discussão, na busca de respostas para os questionamentos. Os frequentes atrasos na decolagem dos aviões, acidentes e cancelamentos de voos tem marcado a trajetória atual do transporte aéreo brasileiro.

Um estudo divulgado dia 14 de março do corrente ano, assevera que 17 dos 20 principais aeroportos do Brasil, ou 85%, estão em situação precária ou preocupante, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Análise publicada no site da Agência Brasil – Empresa Brasil de Comunicação (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-03-14/ipea-conclui-que-85-dos-principais-aeroportos-brasileiros-estao-em-situacao-critica-ou-preocupante), link acessado dia 1º de novembro de 2012, às 12h40. De acordo com a fonte supracitada, desses, 12 estão funcionando acima da capacidade operacional. Somente os aeroportos de Porto Alegre, Salvador e Manaus funcionam em condições adequadas, fora da situação alarmante. Avalia-se a necessidade e possibilidade de concessão à iniciativa privada para a construção de três novos aeroportos antes da época de realização da Copa. Um em Brasília, outro em São Paulo, e o terceiro em Guarulhos. Todavia, tem sido constatado que a capacidade da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), permanece limitada para efetuar o programa de investimento.


A situação se agrava por ter sido observado que dos 11 aeroportos nos quais está previsto o emprego de recursos nos terminais de passageiros, oito ainda estão com projetos na etapa inicial. A morosidade em período que precede um dos mais importantes eventos mundiais é preocupante e até mesmo motivadora de indignação, por causa das injustificáveis ínfimas aplicações no setor. O IPEA, afirma que não apenas os aeroportos inquietam. Pois, o Brasil investe apenas 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto), incluindo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em transporte. O percentual está aquém do empregado por outros países emergentes, como a China, Índia e Chile – que aplicam 2,7% do PIB.  Calcula-se que o Brasil necessita investir cerca de R$ 185 bilhões em rodovias; R$ 75 bilhões em ferrovias e mais de R$ 45 bilhões em portos, segundo afirmação de Carlos Campos, coordenador de Infraestrutura Econômica do IPEA.

Era de se esperar que o país já estivesse com as obras em estágio final, pois além de ter sido escolhido para sediar o evento, pontua-se como já foi dito, a posição do Brasil no cenário mundial, em se tratando dessa modalidade de esporte. Para que se obtenha uma visualização do tamanho dos problemas, no dia 28 de abril de 2012 o Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, teve oito atrasos de voos e um cancelamento, dos 43 programados. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, dos 113 voos programados, 17 partiram com atraso e 12 foram cancelados. No Aeroporto de Congonhas, dos 90 voos previstos, 12 atrasaram e três foram cancelados, segundo o site Nacional – Diário do Nordeste (http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=338655&modulo=964&origem=ultimahora-wide), consultado dia 1º de novembro do corrente ano.

Surge a indagação: E na tão aguardada Copa do Mundo, como será? Alega-se nos casos citados que as condições meteorológicas desfavoráveis podem justificar os atrasos e cancelamentos. Mas, os imprevistos deveriam ter sido previstos, e também a situação climática não é a única razão para os problemas no sistema aéreo brasileiro. Torna-se importante registrar que três dos maiores desastres aéreos da última década ocorreram no Brasil. Em 2005, um Boeing 737 da Gol caiu na floresta amazônica, matando 154 pessoas. Depois, no ano de 2008, na pior tragédia aérea já assinalada em solo brasileiro, uma aeronave da TAM explodiu no aeroporto de Congonhas, São Paulo, resultando na morte de 199 pessoas. E em 2009 um Airbus da Air France, que fazia a rota Rio-Paris, despenhou-se no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo. Segundo informação do site BBC Brasil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/04/120420_cronologia_desastres_aereos.shtml), examinado dia 1º de novembro do ano em curso, às 14h10.

Tragédias acontecem em todos os continentes mundiais, por mais precavidos que os dirigentes das empresas aéreas busquem ser, todavia, o que agrava a situação nacional são a frequência e intensidade dos acontecimentos que dizem respeito ao transporte. Como prestar um serviço de qualidade por meio da disponibilização de aeronaves confortáveis, voos seguros e pontualidade no horário de embarque e desembarque? Faz-se necessário atentar para a problemática pertencente a todo o sistema aeroportuário objetivando saná-la sem perda de tempo. Profissionais bem preparados, cursos de especialização na área específica de cada funcionário, oferecidos pelas empresas aéreas. Expansão imediata da capacidade da Infraero de investir na construção de novos aeroportos, adaptação e aprimoramento dos existentes, mais rigor na fiscalização efetuada pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), são alguns rumos a serem tomados, com vistas ao aperfeiçoamento dos trabalhos executados e serviços prestados nos aeroportos nacionais.  

Os danos do usuário são significativos ao tentar sair do Brasil mediante a utilização do transporte aéreo, como na última década, tem-se observado: Perde-se festa de aniversário, celebração ou bodas de casamento, comemoração de Natal e Réveillon, Shows, dinheiro com gastos nas horas de espera, por causa dos atrasos nos aeroportos, e nos casos mais estarrecedores perde-se a vida. O que seria um momento de festejo se transforma em aborrecimento ou até mesmo morte seguida de luto. Porém, não se pode esquecer que, pelo fato de as promoções apresentadas pelas empresas serem tão atraentes e o poder aquisitivo dos brasileiros ter aumentado, viaja-se mais de avião. Entre 2002 e 2010, o valor das passagens aéreas decresceu em média 64%, de acordo com o site SECOM (http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/acoes-e-programas/comunicacao-publica/em-questao/edicoes-anteriores/maio-2011/boletim-1290-24.05/com-tarifa-menor-brasileiro-viaja-mais-de-aviao/impressao_view), consultado dia 1º de novembro do corrente ano.

Com a renda em alta e o preço do bilhete em baixa, o cidadão não perde a oportunidade de optar pelo embarque via aeroporto. A ausência de qualquer regulação de preços sobre passagens aéreas possibilita às empresas ampla concorrência e total liberdade para realizarem promoções. A queda nos preços é provocada pela competição no setor, originada pela participação de empresas de menor porte no mercado brasileiro. Como pode ser constatado, de um lado o cenário do transporte aéreo nacional é animador por causa da procura e utilização, mas, em contrapartida, a necessidade de ampliação, segurança e qualificação é incontestável e urgente, para que em 2014 não se estabeleça um bordão similar ao título da presente reportagem.

 

 

 

 

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Desastre em Lançamento


No dia 2 de setembro do ano corrente celebrava-se o segundo dia do lançamento do Residencial Smiley Home Resort, em um terreno localizado na Estrada São Paulo-Paraná, no Km 18,5 - Rodovia Raposo Tavares, na cidade de São Paulo. O evento começou às 8h45 daquele domingo, que era o primeiro dia da semana da pátria. No plantão de vendas faziam-se presentes 200 corretores. Depois de aproximadamente 2 meses de trabalho, foram autorizados a realizar fechamentos.

O empreendimento era vendável pelas características do projeto: uma área total de 23.500m², sendo que, dessa medida 17.000m²  serão destinados aos 4 prédios a serem construídos e ao espaço de lazer, enquanto os 6.500m² , ficarão intocáveis, pelo fato de comporem uma reserva florestal. O condomínio de médio padrão terá 3 edifícios de 22 pavimentos, e 1 de 23 denominados respectivamente: Casablanca – apartamentos de 91m² - opções de 1 ou 2 vagas de garagem, Damasco e Alexandria, com perfil semelhante, e imóveis de 77m² - 1 vaga, e Marrocos – unidades de 108m², todas com 2 vagas. Com valores a partir de R$340.000,00.

Além das torres residenciais, o empreendimento terá um Smiley Open Mall composto por 7 lojas com duas metragens: 6 de 52m², e 1 de 177m² . Também figurará na área comercial um quiosque de 9m². O lazer será completo com: boulevard das águas, academia, salões de festa, instituto de beleza, brinquedoteca, churrasqueira, entre outras opções. A localização do terreno é privilegiada, perto do Carrefour e do Shopping da Raposa, e a 3 minutos da Granja Viana.

        

Cogitava-se a possibilidade de execução de bons negócios, entretanto, o fluxo de visita no plantão de vendas foi baixo, 14 clientes. Pelo fato de ter acontecido em um dia especial, foi uma tragédia. Foram rodados apenas 3 contratos. Embora o mercado imobiliário esteja em alta, muitos lançamentos não atendem às expectativas das Incorporadoras e proprietários de empresas de consultoria. O investimento em mídia tanto impressa como na internet foi efetuado, além de divulgação nas ruas, inclusive nas proximidades do terreno. Todavia, o empenho aplicado não foi suficiente para garantir o êxito esperado, pelos corretores, empresários, supervisores e gerentes.



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Marcas Globais e Poder Corporativo

Perda de Identidade?

Por Magno Viana


Por intermédio desta aula, o pof. Dr. Dimas Künsh, utilizando-se da obra da escritora canadense Naomi Klein, intitulada “Marcas globais e poder corporativo”, explana as ações e campanhas de marketing dos grandes conglomerados empresarias (The Walt Disney Company, Nike, Virgin, IBM), entre outros, cuja finalidade é recriar a própria existência humana dentro de um contexto que beneficie os empresários, firmando no mercado as empresas e principalmente as marcas.

Dimas debate as formas de manipulação instrumentalizadas por empresas nacionais e internacionais. Como condicionam os consumidores, para que vendam suas ideias, transformadas em produtos, e formem grupos fiéis de admiradores e compradores.
Em um pequeno trecho do texto em análise, Naomi sintetiza o que se passa na atualidade do consumismo e da priorização pela etiqueta ao afirmar “O que vende é a ideia...”. Primeiro acontece a cogitação consciente da teoria, o pensamento de uma ideologia que se considera viável. Os publicitários imaginam públicos específicos para o tipo de mercadoria, fazem orçamentos junto com executivos e materializam o mundo imaginário e teórico.
Na realidade o público-alvo dos empresários se torna objeto de condicionamento para que o consumo aconteça, e as estratégias dos agentes do capitalismo se concretizem. Mediante a utilização dos recursos de marketing com todas as ferramentas (audiovisuais, outdoor, frases de efeito, fotos de homens e mulheres famosos, ricos e belos), vende-se o sonho perfeito e fabrica-se uma nova realidade. Ao induzirem as pessoas a essa realidade forjada, se obtêm a consolidação da marca e a lucratividade.
A escritora aborda várias problemáticas, que podem ser pontuadas como: a valorização da marca em detrimento do produto, a lucratividade a qualquer custo, a edificação de uma nova realidade e ausência de politização.
Nas argumentações, Naomi cita a construção do casulo, uma prática da Disney, que é o referencial no tema. Significa elaborar metodicamente uma junção de produtos da mesma marca. Sendo assim, os consumidores terão uma gama de produtos necessários e até mesmo desnecessários, vindos de um só grupo de empresas.
Naomi menciona ainda, uma cidade Disney localizada na Flórida, denominada Celebration, que é a primeira cidade de marca. Mas, as marcas não são expostas em cartazes, nem trabalhadas por meio de franquias, entretanto, para habitá-la é preciso estar condicionado àquele estilo de vida, personalizado por diversos parques e ruas e crianças brincando de bicicleta.

Diante dos assuntos apresentados, e da asseveração da escritora “... as empresas... produzem as pessoas”, o que não pode ser refutado, pois para vender a mercadoria, cria-se um perfil de pessoas condicionadas, fica um questionamento para a reflexão do leitor:
Será que a comunidade mundial do século decorrente perdeu a identidade, por se permitir fazer parte de um mecanismo industrial repleto de futilidade, ou, ao contrário do que se pensa e diz, mesmo fazendo parte de uma sociedade capitalista e de um sistema globalizado, o indivíduo consome, mas sabe o que realmente está acontecendo no Planeta?









quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A capacidade de se fazer compreender comicamente



O espetáculo que traz por título: “Quem disse que Inês é morta?!”, com texto e interpretação da atriz Zuzu Abuh, e direção de Fábio Saltini, é uma peça rica de propostas. Com mensagens variadas entre o dramático e a comicidade, uma única atuante, incorpora no palco diversas personagens com algum tipo de referência a história de Inês. Esta é a principal personagem do espetáculo. Uma dama espanhola, da Idade Média, mais precisamente século XIV, que foi assassinada a mando do rei Afonso IV, por ter consumado um romance proibido, para as conveniências monárquicas da época, com o futuro rei D. Pedro I de Portugal.

Uma história trágica que abrange amor, poder, adultério e morte. Todavia, pela forma como as temáticas da vida de Inês são reproduzidas é impossível a presença do sentimento melancólico. Existe a intercalação de personagens como: a dançarina (um misto do estilo funk com o oriental), uma cantora européia, um eletricista, uma faxineira engraçada e uma pseudo mística. Todas interpretadas por Zuzu. As figuras do drama, quando informam, simultaneamente, encantam a platéia com a pertinência das abordagens e surpreendente criatividade, ao possibilitarem diferentes visões dos fatos, que variam do banal ao pseudo transcendental. Pode-se perceber o traquejo para falar do trágico sem se despojar do espírito de diversão.

Trabalha-se o passado comparando com o presente, e procurando contextualizá-lo com situações verossímeis da vida pregressa de outros atores sociais. Quando a dançarina afirma que fez regressão e descobriu que na outra vida fora a rainha Cleópatra, uma mulher de muitos amantes, ela desmonta o mito da integridade feminina do mundo antigo, e busca apoio na historia para justificar a permissividade vivenciada na atualidade. Também, ao falar de uma amiga que na outra vida fora Inês de Castro, a amante do futuro rei, se promove a absolvição dos delitos da presente reencarnação.

Quando se pensa a concepção do histórico dissociado da comédia, geralmente se vislumbra a possibilidade de resgatar e esclarecer os fatos, evidenciando a fiabilidade da narrativa. Mas, a leitura da retratação de um acontecimento que não se despoja do humor, alcança o equilíbrio primordial para um trabalho artístico de qualidade e persuasivo.

Toda a trajetória de Inês é apresentada aos espectadores, entrecortada por personagens extremamente cômicos, que de maneira explicita ao sutil, reportam a platéia à existência indestrutível da senhora Castro. A habilidade perceptível com que se investiga e ilustra um percurso humano traspassado de conturbação, é intensa e revestida de suntuosidade.

As mensagens são emitidas no transcorrer do espetáculo com absoluta contundência e primor, e o fundamental é que o espírito de Inês em sua força, harmonia e aura da vida enquanto matéria se apossa não só da atriz, mas de todos que conseguem acompanhar de perto os relatos e interagir profundamente com a intérprete e sua Estrela.

A eternidade e inegabilidade da essência da dama espanhola possibilitam a introspecção acompanhada de profícua análise do homem, no sentido de cogitar e efetuar o resgate do Eu Supremo. Que é imorrível, supera o ultraje, o tempo e as densas trevas.

A valorização do Ser, nas circunstâncias proporcionadas pela peça, interposto nos meandros de estratos sociais tão díspares, além da utilização da comicidade intelectualizada e trabalhada por intermédio do recurso multiforme, é um dos temas de maior relevância na apresentação performativa.

O Ser é apresentado enquanto humano, transgressor, cúmplice, não-existência, eterno, desmerecido, perdurável. Enfim, ele é visto na sua inteireza de virtudes e imperfeições.

A grande dama Inês de Castro, enquanto protagonista de sua própria história, foi mulher, mãe, amante, esposa, realizada, infeliz, morta. Na qualidade de Ser em total existência infinita, é eterna, rainha dos portugueses, sobretudo de si mesma, soberana como vida diversificada e identificável, e sempre presente de forma interpessoal nos distintos tipos de ralações humanas e espiritualizadas.

Desta forma, aquela que se tornou rainha de Portugal, mesmo depois de morta, conquista a perpetuação, como a mulher que se transforma em heroína, sobrepujando seus próprios conflitos e morte, para comunicar aos interlocutores a grandeza da vida, mediante o enfrentamento da execução como ser humano e eternização enquanto pessoa iluminada.





Utilidade Pública:

Teatro da Livraria da Vila – Shopping Pátio Higienópolis

Sábado às 20h

Domingo ás 18h

Dias 29 e 30 de outubro.

domingo, 2 de outubro de 2011

Cultura Popular



A pronúncia do termo cultura popular em um primeiro momento já remete o interlocutor a uma espécie de cultura do povo, feita pelo povo e para o povo. De acordo com o escritor e professor de Antropologia Antonio Augusto Arantes (ARANTES, 1983), geralmente se pensa em algo de somenos importância, pelo menos do ponto de vista da elite social, partindo-se do princípio que, se procede do povo, ou seja, da massa social, não serve para a nata social que é a classe elitista. Mesmo porque nas sociedades capitalistas as coisas acontecem em um sentido inverso.
A moda, as gestualidades, os gostos alimentares, enfim, todos os produtos fabricados pela grande indústria da cultura, partem da elite para a população. Sendo assim, a cultura popular fica subentendida como cultura do “povão”, cultura inferior, simplória, cujo efeito só pode ser evidenciado no povo por causa das limitações dos fabricantes e a subseqüente qualidade restrita ou praticamente inexistente dessa cultura representada nos seus produtos e rituais.
Segundo (ARANTES, 1983), o termo cultura popular abarca uma infinidade de conceitos e concepções que vão desde a negação de que os fatos identificados nela contenham alguma forma de saber até a concepção dela como uma forma de resistência à dominação social pela classe favorecida.
Pode-se notar dois pontos de vista: de um lado um grupo de pessoas acredita não existir saber na cultura popular, para eles existe o fazer despojado da intelectualidade. Acreditam que esse tipo de cultura não traz nenhum verdadeiro enriquecimento cultural. Por outro lado, existe um grupo de pessoas que vêem na cultura popular até mesmo uma forma de contestação à dominação de classe. Percebem nessa cultura uma manifestação clara de reivindicação de direitos sociais que não são usufruídos pela classe dominada e desfavorecida. Desta forma, o próprio povo promove a cultura popular para não ser simplesmente povo, mas, acima de tudo, se estabelecerem na condição de cidadãos, com todos os seus direitos constitucionais garantidos.
Dentro do conceito de cultura popular também existem mais dois pólos muito pertinentes à análise: O primeiro refere-se a aspectos da tecnologia que abarcam técnicas de trabalho, procedimentos de cura e conhecimento do universo. Esse pólo está intrinsecamente respaldado no conceito de cultura proferido pelos antropólogos que compreendem a cultura como todas as ações e valores do homem dentro de uma determinada sociedade, com suas formas características de trabalho, conduta, e práticas naturais ou espirituais de cura, maneiras de entender o universo, crenças e conceitos gerais referentes à religião.
O segundo pólo enfatiza as formas artísticas de expressão como literatura oral, música, teatro, etc.; sendo que os componentes do primeiro grupo pensam a cultura popular como algo pertinente ao passado, que está em progressivo estado de aniquilamento, enquanto que, os componentes do segundo pólo compreendem a cultura popular como algo voltado para o futuro e, chegam a percebê-la como mantenedora de fragmentos de uma nova forma de sociedade a ser implantada.
A cultura popular, na verdade, retrata a história do povo que a promove, mas a nomenclatura “popular” é que causa um enorme preconceito por parte dos intelectuais. Entretanto, até mesmo a classe dominante se utilizada dessa cultura, pois ao falar de um país, ainda que não se queira, trata-se de pontos ligados às raízes da nação, aqui reside preponderantemente a cultura popular. Todavia, a elite ao se utilizar de fragmentos dela procura “maquiá-los” com o objetivo de tirar-lhes o efeito ou semelhança da pobreza.
Incorre-se a um erro com a efetuação de mudanças nas apresentações ditas da cultura popular porque, devido ao preconceito, primeiro a riqueza histórica lhe é tirada, depois, as encenações culturais não retratam a cultura com a grandeza que poderiam fazê-lo, se procurassem ao invés de focar essencialmente nos recursos técnicos, primar acima de tudo pela originalidade.
Arantes (1983) cita elementos que os brasileiros em geral consomem, mesmo tendo sido orientados a cultivar somente as práticas consideradas civilizadas ou cultas. Menciona, por exemplo, o samba, frevo, maracatu, vatapá, tutu de feijão e cuscuz. Seresta, repente e folheto de cordel. Congada, reisado, bumba-meu-boi, boneca de pano, talha, carnaval e procissão.
Alguns elementos são vistos em uma região outros em outra, com sotaque de pessoas de várias origens que adotam quando chegam ao Brasil, como italiano, chinês, japonês, alemão, árabe ou estadunidense ou ainda de uma forma sutil, cuja idéia do reprodutor fora higienizar a cultura despojando-a de características rústicas, reconhecidas como pobres e inadequadas.
Nessa higienização existe uma manifestação da busca pela apresentação de uma cultura que não seja popular. Os produtores, ou melhor, reprodutores da cultura popular que nos grandes palcos procuram retratar as formas de vida, as atividades costumeiras e elementares da sociedade desde os seus primórdios, na tentativa de “aperfeiçoar” a cultura, acabam apresentando-a de maneira adulterada que na verdade não retrata as autênticas formas culturais inerentes ao povo. Eles talvez não saibam que um objetivo que deveria ser primordial não foi cumprido, o de retratar a cultura popular com autenticidade, despida da higienização.
A cultura popular se traduz como o povo se auto-retratando. Apresentando à sociedade ou ao meio específico no qual vive à sua comunidade, região, arraial, uma visão panorâmica de sua condição como participante da história.
Arantes (1983) afirma que se apoderando de características, de rituais e práticas consideradas populares, as sociedades, inclusive, a brasileira, se expressam simbolicamente enquanto nação, mas, por causa do preconceito inerente aos mentores das apresentações, os perfis e desigualdades regionais não são apontados. Elementos que seriam de uma utilidade preponderante, pois, retratariam com veracidade o cotidiano dos grupos que “se pretende” mostrar.
Sem o efeito da indústria cultural, não se teria a possibilidade de escamotear as disparidades tão extensas da população brasileira. O que aconteceria se ao invés de os manipuladores apresentarem uma cultura popular deformada, condicionada aos seus interesses ideológicos, retratassem com autenticidade?
Pode-se acreditar que a tendência seria a cada oportunidade que se tentasse apresentá-la, mostrá-la cada vez mais enriquecida, não pelos recursos orquestrados pela intenção dos mentores da indústria cultural, mas, pelo contrário, ela seria apresentada de forma enriquecida pelas novas características do povo que estaria sendo retratado. Não mais descapitalizado, desvalorizado e vítima de ações preconceituosas, mas tratado com total dignidade e respeito e que, pelo fato de ter passado a ter acesso aos direitos pertinentes a todos os cidadãos, não pode ser retratado de outra forma senão, de forma primorosa, pois o primor é sua característica nata, sem o uso de nenhum engenho tecnológico.
Os teóricos revolucionários pensaram a formação de sociedades ricas preponderantemente no aspecto cultural, eles cultivavam um olhar sobre a sociedade que projetavam teoricamente, respaldados na indispensável justiça social e priorização da cultura por todos os agentes sociais mediante o conhecimento e as práticas intelectuais genuinamente concebidas e consolidadas.

















domingo, 31 de julho de 2011

Para gostar de filosofia


 A filosofia tem origem grega, e significa categoricamente amor à sabedoria. Ela estuda as inquietações da imaginação humana, por meio da dialética argumentativa. Existe uma reflexão racional sobre o universo e todos os seres, na busca de respostas ou, pelo menos no questionamento por si só.  Analisa-se a ética, os padrões comportamentais estabelecidos nas sociedades mundiais e, pensa-se a lógica dentro de um critério metodológico, que parte do princípio da necessidade constante da conquista de soluções satisfatórias ou paliativas para as situações que permeiam os humanos.
O conceito nasceu na Grécia, no século Vll a.C., e tem como pais Tales de Mileto e Pitágoras. Sendo que, Tales, foi o primeiro filósofo ocidental que se tem notícia, passando a ser desta forma, um marco da filosofia no ocidente.
Na Índia, a matéria tem surgimento e se consolida, por meio dos sânscritos Upanixades (parte das escrituras shruti hindus que discutem meditação e filosofia) e Vedas (escritos litúrgicos que formam a base do sistema religioso do hinduísmo).

O que seria de fato o Mito?
Uma palavra de origem grega, utilizada para explicar a realidade de forma simbólica. Por meio dele, busca-se dissertar sobre a existência do universo e do homem. E apresentar significados para acontecimentos, ilustrativamente. O mito é acompanhado pelo rito, que são as ações dos deuses e semideuses que influenciam no desencadeamento dos fatos na história. Sendo este manifestado também, mediante as tradições religiosas por intermédio de celebrações e orações.

Vale a pena definir Fábulas?
São composições literárias nas quais as personagens são animais, forças da natureza ou objetos, que apresentam características humanas, tais como a fala e os costumes. É um gênero narrativo que surgiu no Oriente, mas foi fortalecido na Grécia antiga, por meio de um autor chamado Esopo, que viveu no séc. Vl a.C..

História:
Traduz-se como o conhecimento advindo da investigação, e tem origem na Grécia antiga. É a ciência que estuda o homem, juntamente com suas ações no tempo e no espaço. A história acontece a todo instante. E ela se processa também, por meio da análise e comparação entre presente e passado.

O que seria a Argumentação dedutiva e intuitiva?
Na dedutiva se utiliza da sutileza por meio da percepção e generalização. Por exemplo, se a os gatos, até então vistos, são marrons, dir-se-á que todos os gatos são dessa cor. Chegou-se a tal conclusão ao isentar os possíveis demais animais da mesma espécie, da possibilidade de existirem em outras cores, por causa da constância de gatos em uma só cor. Enquanto isso, na indutiva, se parte do princípio das afirmações que expressam fortes indícios de certeza para os fatos, com o propósito de induzir o interlocutor a uma adoção de uma crença e/ou comportamento social, também para tomar uma determinada decisão por força das circunstâncias e uso do recurso dialógico. Por exemplo, se uma pessoa pretende levar a outra a dividir a herança, ao argumentar indutivamente, procurará sensibilizá-lo, com frases fortes e que o remetam aos desejos mais profundos do testamenteiro. Todavia, não se pode esquecer que tanto o argumento indutivo como o dedutivo, são sujeitos a falhas e ineficácia. 

Como explicar Liberdade e Responsabilidade nos dias atuais?
A liberdade é uma palavra de origem latina (libertas). Ela tem amplidão de especificações: liberdade física, de expressão, moral. Essa última possibilita ao indivíduo, por meio de uma análise racional, tomar as decisões aparentemente viáveis em determinadas ocasiões. Antes das ações, o cidadão no uso de sua liberdade de expressão e ação, também pensa as possíveis conseqüências que poderão advir do seu comportamento social.
Enquanto, em se tratando da responsabilidade, implica uma capacidade diante da sociedade para incorrer nas atitudes coerentes perante os demais membros sociais. Existe também intrínseca a obrigação moral, para responder por sua conduta no âmbito de convivência coletiva. Sendo assim, liberdade e responsabilidade são palavras e conceitos que se interligam. A primeira delega ao cidadão o livre arbítrio para agir em harmonia com o pensamento pessoal, sem esquecer as previsíveis conseqüências. E, a segunda é a habilidade congênita ou adquirida pelo homem para a participação social e cumprimento de deveres sem isenção do cumprimento de penalidades, quando existirem.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Escravidão Contemporânea

      Por
      Magno Viana

Em entrevista coletiva no dia 28 de abril do corrente ano, na Faculdade Cásper Líbero, o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto afirmou que sua principal função como fundador e representante da ONG (Organização não governamental) Repórter Brasil, é lutar pela erradicação de uma forma escravista de relação entre empregadores e empregados. “A nossa instituição é especializada na preservação dos Direitos Humanos, e o fundamental para nós é tornarmos públicos os casos de violação das prerrogativas dos trabalhadores e ações prejudiciais ao meio ambiente”, disse ele.
Segundo Sakamoto, as ações articuladas com o Congresso Nacional e os governos federal, estaduais e municipais têm funcionado. “Desde 1995 com a pressão da sociedade civil, foram criados grupos para a fiscalização de empresas, com vistas à punição em casos de escravidão de pessoas no mercado de trabalho”. E ele assegurou que “dessa época à atualidade, 41.000 mil funcionários escravos foram libertos”.
O jornalista falou também sobre a existência de um documento em mãos do Governo Federal, chamado Lista Suja do Trabalho Escravo, que é utilizado pela ONG como fonte de investigação. “São nomes de produtores rurais inescrupulosos. O material nos serve de matéria-prima para desencadearmos as denúncias. Raramente vamos direto às empresas”. Acrescentando, ele esclareceu: “Depois que constatamos o delito, tanto encaminhamos um comunicado à Presidente da República solicitando a libertação, como fazemos a denúncia para que haja uma ação socializatória por parte do governo”.
Ele garantiu que em praticamente todos os Estados brasileiros foi detectada a escravidão, que se configura na atualidade como situação de degradância na realização das atividades, “condições humilhantes, atraso de salário, alimentação imprópria, local inadequado para dormir e cerceamento de liberdade, que ferem a dignidade humana”, argumentou. “Só se tem dúvida sobre a existência do crime em apenas uns três Estados. A condição de trabalho na maioria é nojenta, como na China, que se desenvolve fabricando produtos sofisticados: ifone, ipad, entre outros, por conta de uma mão de obra barata e em detrimento à natureza”.
É nas áreas de agropecuária e extrativismo que a ONG tem mais impacto na luta contra o trabalho escravo, mas, de acordo com o cientista político “o problema existe na construção civil, no derrubamento de madeira, no cultivo de café, açúcar e álcool”.
Ratificando a afirmação, ele mencionou o caso da Cosan (uma das maiores produtoras mundiais de açúcar, etanol e energia elétrica a partir da cana-de-açúcar), que estava explorando funcionários. “Com a denúncia dos consignatários do pacto contra a mão de obra escrava, no final de 2009, a empresa passou a fazer parte da Lista Suja, com isso o Wal Mart, Carrefour e o Grupo Pão de Açúcar, deixaram de comprar seus produtos: combustíveis e açúcar, e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), suspendeu quase 800 mil reais em crédito para a empresa. A Cosan caiu quase 6 pontos na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e 3,5 por cento na NASDAQ (Nasdaq Nacional do Mercado de Valores). Na mesma semana, por meio de uma liminar judicial ela conseguiu sair da Lista, mas, a lição que fica é o susto para que o delito não se repita”.
O cientista disse que “pelo fato de a Repórter Brasil ter mais liberdade para fazer uma publicação bem mais esclarecedora e sistemática, mesmo não sendo grande imprensa, ela age junto a essa, potencializando as ações mediante matérias feitas na íntegra, e serve como ponte de diálogo entre empresas, governos e sociedade civil”.
Asseverou o jornalista que hoje se comete os mesmos erros do passado, a corrida pela lucratividade a qualquer custo. “Estamos fazendo o que mais criticamos durante a ditadura militar, pois falávamos que o Brasil é um país que alcança o progresso econômico sem se importar que, para isso, tenha que passar por cima de muita gente”, afirmou.
No ponto de vista dele, o trabalho escravo e todas as conseqüências advindas, como doenças, violência e total situação de miserabilidade, é resultado do modelo de desenvolvimento escolhido e aplicado no país, que por sua vez é excludente, concentrador, egoísta e conflitante. “Morrer deixou de ser o cessamento da existência para ser o cessamento da propriedade”, complementou.
O desafio da Repórter Brasil, por intermédio da aliança com outras ONGs, governos, empresas privadas, órgãos públicos e pessoas físicas, bem como a sociedade civil em geral, é bloquear comercial e financeiramente os empresários que não respeitam as leis que regem as relações de trabalho.